Das Delicadezas.


image - Houve um momento em que o aperto foi tão extremo e aflitivo que eu imaginei não conseguir suportar. Eu nem sabia que, exatamente naquele ponto, a natureza tecia asas para mim, em silêncio, mas foi lá que senti que eu era feita também para voar. O aperto, entendi somente depois, era uma espécie de morte, um prenúncio da transformação, uma ponte que me levaria a outro modo de ser.”

Ana Jácomo
— 2 years ago

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Queria ter tido irmãos, caído mais tombos na infância, a chance de driblar a timidez enquanto havia tempo. Queria ter tido uma adolescência mais maluca, feito mais amigos no colegial, conservado pessoas, encarado situações. Queria ter mais coragem, dinheiro, afeto.
Queria menos solidão, dias vazios, lágrimas, indecisões, medo, frustrações. Queria ser menos intensa, não carregar tanto peso nas costas, encarar a vida com mais leveza e ousadia, afinal, o tempo passa e só querer não basta. É necessário decidir-se, realizar, lutar por objetivos.
Mas corra, corra rapaz, a vida é hoje, amanhã é incerto, tapa no escuro, ponto de interrogação.

— 2 years ago

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Eu prefiro acreditar que nós somos apenas dois corações magoados pela mesma pessoa, uma espécie de ombro amigo, mesmo que recém conhecidos, que se acolheram, mas ainda assim, mesmo que tudo em mim pense de forma contrária, espero que seja recíproco, que você também sinta o coração acelerado ao me ver, e aquela vontade de sorrir, sorrir de forma nervosa e não parar até que a barriga comece a doer e o rosto corar, só assim caindo na real. Eu sei, sei que é minha obrigação estar do outro lado, mesmo que esse não me queira por perto, ao lado de quem sempre esteve ao meu, mesmo que esse em questão não seja o certo e tenha nos ferido, mas ainda assim acredito que meu papel seria dar colo, acolher, aceitar o silêncio e as respostas monossilábicas. As palavras que deveriam sair da minha boca seriam pra dizer repetidas vezes que você é só mais um, que sua partida não irá fazer diferença. Mas dentro de mim, a verdade que só eu sei, escondida, encolhida, envergonhada é que eu te queria ao meu lado, queria caminhar contigo, segurar sua mão, juntar sua carência a minha e dizer que apenas fizemos escolhas erradas, mas que estaria ali e não sairia nunca mais. Fiz planos que nunca irão acontecer a não ser na minha cabeça e nunca ao menos serão compartilhados. Temo pelo nosso encontro, ensaiei despedidas por diversas vezes no espelho, chorei sem ninguém ver, pedi clemência, mas o destino é incerto. Que seja como da primeira vez, no primeiro encontro fruto do acaso, que o que tiver que ser, seja. Que o destino cumpra seu percurso, a vida siga seu caminho sem coincidências, apenas traçando rotas.

-Sobre o dia em que me apaixonei pelo “quase” namorado da minha melhor amiga.

— 2 years ago

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Antiga. Talvez seja isso. Já não tento mais fugir, prezar valores que não são meus. Não quero viver aprisionada pelo dogma que é viver com o resultado de pensamentos alheios. Os programas de fins de semana deles, da massa, dos que se rotulam modernos, dos que nasceram na minha época não me agradam, as músicas que tocam no momento não me dão êxtase, gosto do passado, do sabor da infância, de ouvir histórias de costumes antigos. Leio sobre décadas passadas, me encanto com lugares onde as lembranças afloram. Lembranças de algo que nunca vivi, mas sinto, quando o lado poeta insiste em despertar. Não quero “viver um mundo” onde o errado virou certo e agir a sua maneira se tornou ridículo. Onde tudo se copia e amizades e amores são descartáveis, onde aparência vale mais e os erros de ontem são apagados momentaneamente por garrafas de bebida. Nasci quieta, sou de poucos, gosto de paz de espírito e depositar minha tranqüilidade em algo que me traga inspiração. Prefiro não me arrepender e ser rotulada como alguém que nunca sproveitou o fulgor da juventude. Irei envelhecer acreditando que vivi a minha maneira, amei intensamente, depositei confiança nas minhas verdades, na voz interior que grita em mim. Segui meu coração, acreditando que todo o resto é secundário.

— 2 years ago

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Quero a paz de um domingo ensolarado, depois de dias vazios e nublados. A tranqüilidade da brisa que toca o rosto em algum lugar tranqüilo, onde os passarinhos cantam nos galhos das árvores na beira da janela. Cheiro de café quente num dia frio.
A sensação confortadora da cama desarrumada, repleta de livros e companhia suspirando profundamente ao lado, certamente perdido em algum sonho bom.
Paz pra olhar o céu estrelado e me perder naquele breu. Quero a leveza das manhãs, o toque da neblina, a alegria exacerbada de um fim de tarde. Quero encontrar o lugar onde o sossego se esconde.

— 2 years ago

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Só senta ao meu lado, me deixa encostar meu rosto no seu ombro e me acolha. Deixe-me dividir essa paz contigo, esse sossego que encontro em ti, em meio aos meus dias conturbados, minha indecisão, meu medo, minhas dúvidas. Ei! Me deixe sentar ao seu lado nesse point vazio e dividir uma xícara de café. Porque é domingo, está frio e nublado. Vamos viver dias de sol em qualquer lugar, querido. Algum lugar bem longe. Pegue-me, leve-me, me tire daqui. Arrumo minhas coisas e não me importo em dividir espaço no seu trailer pequeno. Vamos ver o entardecer e viver de sonhos, mas principalmente coragem pra realizar. Vamos pegar malas e viajar o mundo sem medo do que está por vir.
Ei, querido, desfaça meus devaneios, me mostre à vida, me tire da solidão que construí em mim.

— 2 years ago

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Gostava desse cheiro de vida, de bem cedinhos, alecrim, dama da noite, canteiro de avó. Fazia bem respirar manhãs, fins de tarde azuis, a tão nostálgica rua de uma biblioteca, com canto de cigarras e companhia canina em fins de tarde de novembro.

— 2 years ago